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domingo, 25 de setembro de 2011

Perfume de Primavera



PERFUME DE PRIMAVERA

Feche os olhos e sinta o perfume suave das flores ao seu redor. Há magia no ar. São as fadas espalhando o pólen e multiplicando as cores. Agora prepare seus ouvidos para uma apresentação especial: um coral está a cantar. Bem-te-vi passar. Beija daqui, beija de lá. De flor em flor o Beija-Flor exibe seu voar.
Sinta a textura das pétalas. O sabor do vento a bagunçar seus cabelos. Sinta o calor do Sol espalhar-se por seu corpo. Sorva o orvalho refrescante. Esfregue seus pés descalços na terra e sinta sua vibração, seu pulsar. Abrace o tronco da natureza e se delicie com seus sentidos.
Viva plenamente gerando a natureza dentro de si. Entrelace seus desejos e se entregue ao encanto de uma manhã de primavera.

Prosa poética do livro - Todas as coisas do mundo (texto a ser publicado em breve em uma antologia)

Autoria: Cláudia Valéria Miqueloti 

Desejo a todos uma primavera perfumada. Beijos doces.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Esboço

Brincando no paint

Perdida em meus pensamentos vaguei pela imensidão dos meus sentires. Flutuei como uma pena ao sabor da brisa. Respirei fundo e segui pelas brumas de meus sonhos esquecidos pelo tempo até encontrar a entrada secreta de minha consciência. Estaquei à porta perdendo-me em sua beleza fascinante. Tons de um prata antigo envolto em ondas de um azul enevoado envolviam a lateral. Encostei o ouvido na madeira diáfana e aguardei, a respiração suspensa, os batimentos a mil. Nada. Nem sequer um sussuro abafado. Tentei a maçaneta. Não existia nenhuma. Eu queria entrar. Precisava. Observei os entalhes e não havia inscrições, nem desenhos, apenas um círculo dentro de outro e de outro. Recusei terminantemente voltar atrás de mãos vazias. Haveria um meio de penetrar aquela barreira. Fechei meus olhos e esvaziei a mente de toda tensão acumulada pelos anos que me pesaram até aqui. Senti-me leve. Quase fora de mim. Não havia pensamentos, sensações, nem um leve formigamento. Quando dei por mim estava do outro lado. Nada via, nem sentia. Era como se o mundo não existisse. Como se eu não existisse. Minha consciência era o nada ainda germinando na fonte da vida. Seu tempo de nascimento ainda não fora determinado, nem sua hora de desaparecimento total. Não havia como encontrar algo que ainda não existia. Um suspiro quase sufocou-me. Senti dor. Tinha voltado a meu estado inicial. Eu era o esboço de uma vida que ainda seria criada, modelada e embutida numa consciência em estado bruto. Adormeci exausta. Milhões de anos se passaram até que voltei a acordar no ventre de uma criatura que sonhava com meu nascimento. Enfim minha consciência pode germinar e se desenvolver até que um novo ciclo se formasse na espiral da vida.

Autoria de Cláudia Valéria Miqueloti (Chellot)
Texto baseado em um sonho.

Respeite os direitos autorais.