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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Girassol


Girassol

O dia amanheceu nublado. Os velhos telhados cobertos de folhas secas eram os únicos que ainda aguentavam as constantes mudanças de humor do tempo. No chão, a frente da sofrida casa de alvenaria, o mato encrespava-se junto ao tronco de uma mangueira anciã. Parecia querer se infiltrar nos espaços que ainda se conservavam incólumes. Os degraus que levavam à estreita varanda, lembravam  saudosos das risadas infantis e ainda sentiam dores por suas pisadas tempestuosas.
Um homem, envergando uns setenta anos tocou a fechadura do enferrujado portão, que outrora exibia um manto branco e robusto. Sentindo sua resistência, vacilou em sua decisão de voltar aquele mundo. Os passos seguintes foram lentos, arrastados, quase como se fossem aprisionados pelo mato traiçoeiro.
Enfim o velho homem encontrou beleza em meio aquele quadro inóspito. Sem demora ajoelhou-se como se o tempo fosse arrancado de suas entranhas e lhe devolvesse a flexibilidade da juventude.
- Voltei, minha amada!
Essas últimas palavras foram proferidas aos pés de um gracioso girassol.

                                                 
                                                    Autora: Cláudia Valéria Miqueloti