segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Flor Mulher

Segundo os índios tupis-guaranis da Amazônia, Naiá era filha de um grande chefe e princesa da tribo. Numa noite ela ouviu a história de que a Lua era um deus poderoso (Jaci). Conta-se que a Lua se apaixona pelas moças virgens e as transformam em estrelas. Naiá, impressionada com a história também queria virar uma estrela e brilhar no céu. Todos os dias ela subia as colinas e perseguia a Lua, mas ela sempre partia sem levar Naiá consigo. Em uma noite, Naiá viu o reflexo da Lua nas águas límpidas de um lago e contente em saber que seu amado viera buscá-la, mergulhou nas profundas águas e nunca mais foi vista. Uma nova estrela nasceu, porém não no céu, mas nas águas do lago para que refletissem a luz da Lua. Era a Vitória Régia, a "Estrela das Águas". Suas flores brancas e perfumadas só aparecem à noite. Ao amanhecer elas ficam rosadas. "A Vitória Régia é nativa do rio Amazonas. Suas folhas arredondadas atingem até dois metros de diâmetro e possuem as bordas pronunciadas e levantadas."

Flor Mulher

Naiá princesa da Lua,
Naiá rainha do lago
Naiá régia e pura
Naiá fonte de luar.

Naiá deusa da luna
Estrela branca e rosada
Menina de grande formosura
Naiá virgem encantada.

Um sonho de menina
Um desejo de viver
Sob a Lua és a mais linda
Naiá flor mulher.

Autora: Buxinhachellot.

Posto aqui mais um conto folclórico de minha terra. Espero que apreciem.

Por Bruxinhachellot.


quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Minha Vida

Muitas pessoas pensam que o passado deve ficar enterrado e só o presente e o futuro valem a pena. Só que ninguém tem um presente e um futuro se não tiver tido um passado. Se ele foi bom ou ruim não deve ser esquecido. Tudo o que vivemos irá se refletir no presente e futuro. Recordar é uma forma de aprender com os erros e não mais correr o risco de errar novamente. Recordar é ser embalado pelos primeiros passos, as primeiras palavras, brincadeiras, sonhos de juventude, o primeiro amor, a primeira decepção, a esperança de um novo amanhecer. Por isso posto aqui um poema que escrevi aos 17 anos. Este poema refletia o meu estado de espírito da época. Quem não passou por uma crise na adolescência, mesmo que tenha sido fulgás? Aprendi com meus sentimentos, com meus sonhos não realizados, com minhas quedas, com meus anseios, minhas realizações e frustrações. Viver é correr todos os riscos. É ter passado, presente e futuro.

Minha vida não tem sentido.
Minha vontade é contida
Pela ausência de carinho.
Meu sofrimento é um deserto sem almas,
Que está perdido e sem lar,
Sem amigos e sem forças.
Meu mundo não me quer.
Estou infeliz e sem destino.
Angustiada e acuada
Num mar de dores e desilusões.
Amo o tudo, mas ele não me ama.
Vivo sonhando sem dormir.
Canto chorando uma canção
Que não tem som.
Falo palavras sem sentido.
Tenho idéias e não as uso.
Sou pura tristeza
E esperança tardia.
Conheço a dor, mas não o amor.
Sou filha da Lua
E não sou parecida com ela.
Sou terra sem Pátria,
Sem filhos, sem pais.
Sou um universo de paz
Dentro de um espaço vazio.
Medo não possuo, nem tenho rancor.
Sou fogo, sou cinzas,
Sou feita de pó.
Meu castigo é viver.
Minha mente é um vácuo.
Vivo num abismo sem fim.
Amo um amor que não me conheçe.
Estou cançada e sem descanço.
Procuro achar alguém e não encontro.
Meu coração é um galho quebrado.
Não tenho asas e não vôo.
Não tenho sorte e nem a procuro.
Minha vida é um caos,
Um labirinto infinito.
Sou como espinho sem flor
Que ao tocar desmancha
E volta ao nada.

Autora: Bruxinhachellot.

Vale acrescentar que não me sinto mais assim. Aprendi a apreciar as pequenas coisas da vida e a curti-la sem medo ou receios. Amo minha vida e tento a cada dia torná-la melhor.

Por Bruxinhachellot.